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  • Foto do escritorK-Pop News

A Coreia do Sul de "Hymn of Death"



“Hymn of Death” é um minidrama que conta a real e trágica história de amor do casal Yun Simdeok e Kim Woojin.


A série contém o tema suicídio, por tanto, se você não se sente bem psicologicamente, não recomendamos assistir. Já esse texto usa a série apenas como introdução para contextualizar o período histórico que a Coreia enfrentava.


O minidrama da SBS composto por 6 episódios, mas condensados em 3 para a Netflix, conta a história da primeira soprano coreana Yun Simdeok (Shin Hyesun, de Mr. Queen) e do escritor Kim Woojin (Lee Jongsuk, nem preciso dizer né?). Os dois se conhecem no Japão quando ele a recruta para sua peça de teatro, segundo a série (na história real não há comprovações de que foi especificamente para essa peça). À época, ele era um estudante de literatura que usava de seus textos para defender sua posição pró-Joseon e ela era uma estudante de música, mais precisamente, lírica.


Conforme acompanhamos na série, o casal acaba se apaixonando com a convivência. Porém como Woojin é casado, os dois acabam se afastando. Mas mesmo depois de anos separados, ao se reencontrarem eles percebem que ainda se amam, mas diante das imposições de suas famílias e pressões do regime político, eles só veem uma solução para ficarem juntos.


Obviamente, por ser uma obra de ficção, alguns fatos são alterados ou omitidos, como por exemplo, Woojin na vida real tinha filhos. Mas Woojin e Simdeok conseguem representar bem a população coreana à época. Um exemplo é esse trecho de um dos textos de Woojin que aparece no final do segundo episódio:


“Pai, com um turbilhão no coração, Pela primeira vez na vida, Fui contra a sua vontade.”

Kim Woojin, Longe de Casa (1926).


Ele sofre com a repressão de sua arte pelo regime (como fica evidente na série quando ele é espancado e preso); e pelas imposições fruto de sua posição social (filho de uma família rica e influente, Woojin é pressionado a vida toda pelo pai para assumir os negócios da família). Todos esses fatores iam contra seu sonho de usar sua arte para expressar seu amor por sua nação numa tentativa de resgatar o que podia da cultura e da dignidade de seu povo.


Já Simdeok é condenada socialmente, unicamente por ser mulher depois de romper seu noivado arranjado e se encontrar profissionalmente com um homem, a sós; sem contar a ameaça que sua família sofre, para que ela cante para o governo japonês.


Toda essa história se passa em meados de 1920 na Coreia do Sul, à época Joseon, ocupada pelo Japão de 1910 à 1945. Essa dominação na verdade começou depois de 1870, mas só foi oficializada em 1910. Nesse período, toda forma de expressão coreana era fortemente reprimida: não se podia falar mal dos japoneses ou expressar qualquer forma de arte ou cultura coreana; até a língua havia sido banida, assim como os nomes coreanos.


Os censores e a polícia fiscalizavam e reprimiam todo e qualquer ato que exaltasse a cultura coreana. Os coreanos foram obrigados a fazer trabalhos forçados, em situação análoga à escravidão. Além disso, foi um período marcado pela opressão e violência, inclusive violência sexual contra as coreanas, obrigadas a se prostituírem.


Essa repressão durou até 1945, quando a 2ª Guerra Mundial se encerrou e o Japão se rendeu, encerrando sua dominação sobre a Coreia que se dividiu em duas, ficando a do Sul, sob influência dos EUA (mas isso já é assunto para um outro texto).


Já nosso casal protagonista teve o fim de suas vidas muito antes, em 1926, quando eles se jogaram de um navio. Infelizmente, foi esse fim trágico que alavancou o sucesso de suas obras. Os textos de Woojin se tornaram uma grande representação das tristezas e medos dos coreanos à época. E Simdeok, considerada a primeira cantora de música popular coreana, teve “Eulogy Of Death” (Discurso da Morte) como seu maior sucesso, gravada em Osaka (Japão), com os acordes de “Ondas do Danúbio”, de Ion Ivanovici, que serviu de referência para o título do drama. A história, do casal inclusive já foi retratada em dois filmes, sendo essa versão da SBS a mais recente.

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