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  • Foto do escritorJéssica Caroline

YOUTH OF MAY: primavera, juventude, liberdade e amor.



Uma vez me disseram que Youth of May não era uma história fácil, e realmente não é. O ambiente em que ela se desenrola já é um aviso claro de que a felicidade dos personagens é pequena e frágil, afinal estamos em maio de 1980 na cidade de Gwangju.


Outro sinal é a cena que garante o suspense durante toda a trama: tudo começa no ano de 2021 com uma ossada encontrada em um canteiro de obras. Junto com a ossada foi encontrado um relógio de bolso, que chama a atenção de um homem que vê a reportagem enquanto espera a chegada do metrô. É a partir dai que a história retorna 41 anos para uma Gwangju que fervilha com energia dos jovens inquietos e do regime opressor que paira sobre o país.


O governo militar mantém um regime ditatorial com punhos de ferro; aqueles considerados inimigos do governo são presos e torturados sob o pretexto de defender o país das ameaças comunistas do Norte e os jovens estudantes saem as ruas em protestos em busca de liberdade de expressão, fim do regime e retorno a democracia.


É também onde está Heetae, Myunghee, Sooryeon e Soochan, o quarteto de jovens que representa não apenas os jovens da época, mas seus sonhos e desejos.



Myunghee (Go Minsi, de Sweet Home) é uma jovem de família humilde que trabalha como enfermeira. Corajosa e destemida, ela luta com todas as forças em busca de uma vida melhor enquanto trabalha incansavelmente e ainda encontra tempo e disposição para ajudar outras pessoas.


Sua melhor amiga é Sooryeon (Keum Saerok, de The Fiery Priest) a filha de um empresário da cidade, mas ao contrário do que se espera, Sooryeon, não quer uma vida garantida pelos privilégios que sua família possui, ela tem sede de justiça e seu coração está nos protestos e na luta em meio aos outros estudantes. Suas atitudes em alguns momentos podem parecer infantis e até prejudiciais para sua amiga, mas Sooryeon está apenas tentando fazer o melhor para proteger a si e sua família em meio as incertezas do futuro.


É exatamente pela sua família que a jovem aceita assumir um compromisso com Heetae (Lee Dohyun, também de Sweet Home), um estudante de medicina famoso na cidade por ter entrado na Universidade de Seul. Compromisso esse, proposto por Hwang Kinam (Oh Manseok, de Pousando no Amor), pai de Heetae, com a intenção de afastar qualquer suspeita de envolvimento do filho com as revoltas populares à época.


E fechando esse quarteto está Soochan (Lee Sangyi, de Hometown Cha-Cha-Cha), o irmão mais velho de Sooryeon, um personagem que a princípio não parece ter tanto destaque, mas se desenvolve muito ao longo da história. Soochan, inicialmente é o que podemos chamar de alienado diante da realidade do que acontece a sua volta, mas tem um bom coração e um grande senso de justiça. E essas suas qualidades se intensificam quando ele sente na pele a opressão do regime.


Falando em Sooryeon, a jovem está determinada a não se casar com Heetae, por isso manda sua melhor amiga, Myunghee em seu lugar no primeiro encontro com o jovem, em troca disso ela pagará a passagem de avião da amiga para estudar no exterior. Ambas, confiantes no fato de que Heetae não as conhece, por isso jamais vai desconfiar que está conversando com a pessoa errada. Só que Heetae não só já viu Myunghee como consegue escapar ileso de todas as tentativas da jovem de fazê-lo desistir.



E é desse encontro que Heetae e Myunghee iniciam sua história de amor. Mas, como eu já disse, não há nada de flores ou para nos dar esperanças de um amor tranquilo. O pai do jovem, Hwang Kinam, é chefe do Serviço de Investigação Anticomunista, que anos antes passou pela vida da família de Myunghee deixando apenas rastros de tristeza para trás. Além disso é um homem sem compaixão que demonstra ser extremamente religioso (uma grande contradição diante das atrocidades que faz).


Esses fatos, somados ao amor que Heetae e Myunghee compartilham, fazem com que o jovem desvie dos planos do pai, e consequentemente tornam a jovem enfermeira a inimiga número 1 de Kinam.


E é no desenrolar da luta pelo amor desse casal que nos encanta, que um momento marcante da história da Coreia do Sul paira sobre a cabeça dos protagonistas e de todos aqueles que estão lutando pelas suas vidas, pela liberdade ou apenas tentando sobreviver.


É maio de 1980, as pessoas estão assustadas e o regime militar que se instaurou há anos está tentando fechar o cerco e garantir sua perpetuação no poder. Para completar, após uma manifestação de estudantes no dia 15 de maio em Seul, o governo decretou a lei marcial dois dias depois em todo país. O que tornou a situação que já era delicada, ainda pior: universidades fechadas, atividades políticas proibidas e imprensa ainda mais restringida com o envio das tropas para diversas partes do país, inclusive Gwangju que por questões geográficas era um local estratégico.



A série, em especial, é muito fiel a realidade da cidade durante aqueles dias turbulentos. Ao longo dos episódios podemos acompanhar exemplos das atrocidades cometidas pelo Serviço Anticomunista como prisões ilegais, torturas e assassinatos. E nos episódios finais, em especial, a série foca na guerra que se instala na cidade a partir do alargamento da lei marcial: qualquer pessoa que tem o azar de se bater com um soldado corre sérios riscos de ser espancada na rua sob o pretexto de ser um revolucionário, assim como as prisões, as torturas e as mortes se intensificam.


A série da KBS2 dirigida por Song Min Yeop (que também dirigiu Doctor Prisoner) faz um trabalho de muita qualidade, além da excelente fotografia e o belo desenvolvimento de seus personagens. Por tanto, não é uma série recomendada se psicologicamente você não estiver se sentindo bem, afinal a série pode desencadear muitos gatilhos pelas cenas de violência explícita, além do contexto delicado em que está inserida.


Mas se você estiver pronto, assim como eu me preparei para assistir, vale a pena acompanhar esse recorte da história sul coreana, que ocorreu na estação da primavera, não marcada pelas flores ou pelo barulho da cidade fervilhante em desenvolvimento, mas pelas balas e pelos gritos de socorro ecoados pelas vidas em perigo e pelo lamento das vidas que se foram, representadas por todos os personagens dessa história, como o policial que paga com a própria vida por desacatar as ordens de um soldado; ou um soldado que não concorda com a postura de seus colegas e não entendem a necessidade de tanta violência, mas precisa acatar suas ordens para tentar sobreviver. Além de nos lembrar da dor do recomeço para aqueles que ficaram.


Youth of May tem 12 episódios de 60 minutos e pode ser encontrado no Magic Drama Fansub, Kingdom Fansubs e Dramafansubs.



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