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  • Foto do escritorJéssica Caroline

TEMPO DE CAÇA: um futuro distópico para criticar problemas atuais



Tempo de caça/Time to Hunt é um filme de ação e suspense, mas também é uma forte crítica sobre as desigualdades sociais e a falta de esperança dos jovens para um futuro melhor. O filme dirigido por Yoon Sunghyun foi lançado mundialmente em 22 de fevereiro de 2020 com 134 minutos de duração.


Em muitos aspectos a produção foi comparada a Parasita, que poucas semanas antes havia se consagrado na premiação do Oscar, além disso as duas produções têm em comum a atuação do ator Choi Wooshik. Mas apesar das duas produções terem a intenção de passar mensagens parecidas, os caminhos que seguem e seu desenrolar são bem diferentes.


Tempo de Caça se desenrola numa realidade que conhecemos logo nos minutos iniciais do filme. Envolta em uma névoa densa, a cidade está devastada, muitas pessoas vivem em extrema pobreza; as ruas estão desertas; o país está atolado em dívidas; a maioria arrasadora dos comércios e empresas faliu e a moeda nacional já não vale mais nada; os que ainda resistem lutam através de protestos reprimidos pela polícia. Esse é o futuro distópico pós crise econômica dessa história.


E é nesse mundo incerto que conhecemos Junseok (Lee Jehoon), Kihoon (Choi Wooshik) e Jangho (Ahn Jaehong). Três jovens amigos que tem o sonho de uma vida melhor e um futuro com alguma esperança. Especialmente Junseok que acabou de sair da prisão, depois de três anos preso, e está determinado a ir atrás desse futuro.



O problema é que nenhum deles tem dinheiro ou qualquer fonte de renda, e não nutrem qualquer esperança de uma chance de melhoria, ou de uma salvação vinda de alguém que lhe estenda a mão, como é expresso várias vezes nas falas dos próprios personagens. É aí que Junseok tem a ideia de roubar o cassino que frequenta com os amigos.


É nessa casa de jogos ilegal que trabalha Sangsoo (Park Jeongmin), que completa o quarteto. Como deve a Junseok e não tem dinheiro para pagá-lo, Sangsoo acaba integrando o grupo para selar sua dívida ao dar as informações de que precisam para invadir o local, além de participar da invasão em si.


E no fim das contas, apesar do medo e dos riscos, o plano da certo e os quatro conseguem pegar o dinheiro de que precisam, mas é aí que a vida deles fica mais complicada do que antes: os responsáveis pelo cassino contratam um assassino para perseguir os quatro garotos, que não vai desistir enquanto não cumprir seu trabalho.



Han (Park Haesoo), como é chamado, não é um homem de muitas palavras, seu único interesse é cumprir sua missão: matar (destaque para a coleção de orelhas que ele tem exposta na parede). E ele não desperdiça a oportunidade, mas quando fica cara a cara com Junseok, o instinto da caça lhe domina e ele libera os garotos apenas com a intenção de iniciar um jogo desesperador de gato e rato.


Sem perder o enredo principal do filme que tem como base as consequências do assalto ao cassino, o filme enfatiza também o desejo gritante de quatro jovens limitados pelo sistema e pelas condições do ambiente que os cercam, tentando apenas fazer alguma coisa para mudar suas vidas cheias de incertezas.


E é aqui que faz muitas pessoas levantarem a semelhança com Parasita, ambas as histórias se concentram em jovens que diante das circunstâncias numa sociedade claramente desigual, onde ninguém se importa, usam dos meios que tem a disposição, sejam legais ou não, para tentar sobreviver num mundo cruel em que são jogados. O que é enfatizado pelos caminhos que eles percorrem para fugir de seu algoz: ruas e lugares desertos, solitários e frios que eles atravessam sem ninguém para lhes ajudar, reforçado pela paleta de cores através da iluminação em tons frios ou então carregadas de vermelho, rosa e laranja, alimentados pelo desejo desesperador de um lugar que seja mais humano, com céu azul e água do mar verde cristalina para pescar, além de um pouco de calor humano.


Assista abaixo o trailer do filme:



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