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  • Foto do escritorRami

Precisamos falar sobre o racismo na Coreia


Nessa semana nos deparamos com mais um escândalo envolvendo uma celebridade coreana e o racismo. Se pararmos para pensar, infelizmente, não é tão difícil lembrar de algum episódio de coreanos proferindo atitudes que incitam o preconceito racial. Antes da explosão cultural coreana pelo globo, a comunidade coreana, que possui somente 5 % de população não étnica coreana, atos como esses passavam despercebidos, entretanto, agora que o entretenimento coreano chamou atenção por todo o mundo, parecem estar havendo maiores esforços das indústrias para absorver a população negra na identidade coreana. O fato do ocidente e oriente possuírem tantas diferenças culturais, até então, é um dos maiores motivos (ou desculpas) de que o racismo presente na Coreia do Sul nunca foi levado tão a sério, mas para os negros que vivem na Coreia e/ou que consumem conteúdo coreano essa pauta nunca deixou de ter importância.


Na Coreia do Sul, a homogeneidade étnica ainda é muito forte. Existem minorias étnicas, mas a população é muito pequena. Embora raça e etnia sejam tópicos populares de discussão em alguns países, esses não são tópicos muito abordados em um país com uma hierarquia baseada no colorismo, onde a pele branca é valorizada e a pele mais escura é associada a qualidades pouco atraentes. Os coreanos são um povo não-branco que acreditam na supremacia branca e que não estão sendo adequadamente educados sobre raça, levando-os a serem ignorantes em questões de diversidade. Entretanto, o crescente reconhecimento desse problema fez com que alguns setores da sociedade coreana pressionassem por reforma que pudessem conceder aos negros e a outras nacionalidades proteção legal na Coreia do Sul.


A nação continua sendo um dos poucos países da OCDE sem uma lei antidiscriminação que proteja seus grupos marginalizados. A falta de proteção legal resulta em pouco recurso para pessoas de cor na Coreia do Sul quando são confrontadas com discriminação no mercado de trabalho e no lazer. O cenário político, também, impediu a aprovação de projetos de lei antidiscriminação por anos, com avanços na igualdade racial sendo perdidos no processo, devido à demografia comparativamente menor de indivíduos racializados na Coreia. Além disso, dado seu histórico de comentários antifeministas e etnonacionalistas, bem como comentários depreciativos contra os africanos, os especialistas acreditam que a vitória eleitoral de Yoon no início deste ano criou um ambiente inóspito para as perspectivas de igualdade institucionalizada.


A estética negra foi implantada na cultura pop do século 21 com o objetivo de adicionar 'tempero' ao som e aparência dos artistas. A ideia de negritude é utilizada como meio de alcançar maturidade, autonomia e liberdade. Existe uma subcultura crescente, que também tem sido estimulada por celebridades que criaram um grande interesse pelo hip-hop que teve influência na moda, na vida noturna e na música. Para a maioria dos gerentes de clubes de Seul, uma noite dedicada ao hip-hop é uma atração garantida para o público, em contrapartida, os próprios donos da cultura apropriada muitas vezes são barrados por clubes de festa que implantam uma política que só permite a entrada de coreanos étnicos.


O cenário da música coreana existe muita influência da cultura negra. Inúmeras músicas no k-pop são escritas e produzidas por afro-americanos. À medida que a Kmusic se populariza em todo o mundo, muitos fãs esperam que a indústria desenvolva uma compreensão mais sensível e globalizada da raça. Entretanto, atitudes como blackface, proferir insultos raciais e usos puramente estéticos da cultura africana negros ainda são comuns. Ao contrário dos escândalos de namoro ou drogas, a apropriação cultural nunca foi capaz de prejudicar a carreira de um idol.



Observando a história da cultura africana na Coreia podemos perceber como ela está rodeada pela hipocrisia. O principal problema dessa apropriação cultural é o fato de que indivíduos que não estão dentro da comunidade negra utilizam e amam vários aspectos da cultura, mas não tanto das pessoas por trás dela.



Os fãs de K-pop já mostraram que podem contribuir muito com a luta contra o racismo, quando se mostrou politicamente ativo reservando milhares de ingressos para aumentar artificialmente a participação em um comício de Donald Trump em Tulsa, onde declarações oficiais de apoio a #Blacklivesmatter com fancams de idols derrubaram hashtags racistas. Devemos utilizar todo esse poder direcionado a própria indústria que muito pode fazer além de um pedido de desculpas, nós não criamos o sistema, mas é nossa responsabilidade torná-lo melhor.


Recomendação:

Vídeo sobre a influência da cultura preta no hip-hop coreano. Ative as legendas em português.



Fontes: 1|2|3|4



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