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  • Foto do escritorMichelle Rezende

O que faz um grupo ser K-Pop?


Quando você pensa em Kpop, qual conceito vem a sua cabeça? De garotos e garotas coreanos ou de descendência asiática cantando e dançando? Ou para você Kpop é um gênero musical e que não importa a nacionalidade dos membros do grupo, basta ser feito e produzido na Coreia que ainda pode ser considerado K-pop? Esses questionamentos podem ser respondidos de uma maneira: quando pensamos em algo atribuímos a ele um signo, ou seja, uma imagem visual aquela determinada coisa e foi isso que aconteceu com o K-pop durante muitos anos, por ser um ritmo produzido em um país asiático, era inimaginável pensar que outra etnias além dessa poderia compor grupos de K-pop. Só que isso tem mudado e um dos principais motivos é: a popularidade do K-pop o ocidente.


E partindo desse conceito, algumas pessoas que gostam de Kpop, acreditam que esteja acontecendo o esvaziamento do gênero musical, justamente por haver essa diversidade étnica no ritmo. Justamente porque o conceito que foi atribuído ao Kpop, se designa de marca racial e não de marca geográfica e territorial como deveria ser. O termo Kpop é uma abreviação de Korean pop, ou seja, música pop coreana. Mas será que isso significa que apenas artistas coreanos podem fazer parte desse gênero musical? Ou será que o Kpop é mais do que uma questão de nacionalidade, e envolve também um estilo, uma estética, uma cultura e uma indústria específicos?


Nos últimos anos, o Kpop se tornou um fenômeno global, conquistando fãs em todo o mundo com suas músicas cativantes, seus grupos carismáticos e suas performances impressionantes. E com essa expansão, também surgiram novas possibilidades para artistas estrangeiros entrarem nesse mercado. Hoje em dia, existem vários grupos de Kpop que contam com membros que não nasceram na Coreia, mas que se adaptaram à língua, à cultura e ao sistema de treinamento do país.


O kpop é mais do que uma questão de nacionalidade, e sim de identidade. Os artistas estrangeiros que fazem parte de grupos de Kpop passam por um rigoroso processo de seleção e treinamento, aprendem a língua coreana, seguem as regras e normas da indústria musical do país e se dedicam a promover a cultura coreana pelo mundo. Além disso, eles também contribuem com suas próprias experiências, talentos e personalidades para enriquecer o cenário musical do Kpop. Nesse sentido, eles podem ser considerados tão Kpop quanto os artistas coreanos. Por outro lado, pode-se dizer que o Kpop é uma expressão da cultura coreana, e que os artistas estrangeiros não podem representá-la totalmente. Afinal, eles não nasceram nem cresceram na Coreia, e podem ter dificuldades para se adaptar ou compreender alguns aspectos da sociedade coreana. Além disso, eles também podem enfrentar preconceito ou discriminação por parte de alguns fãs ou empresas que preferem artistas coreanos. Nesse sentido, eles podem ser vistos como intrusos ou oportunistas no Kpop.


Essa é apenas uma linha de raciocínio que permite compreender o porquê de tanta resistência de fãs de kpop em reconhecer variações étnicas, como Kpop. Mas porque pensar em invasão ou intromissão, quando a música é um ambiente democrático? Seria o pop pertencente apenas aos Estados Unidos ou as Boy e Girl bands pertencentes apenas a cultura a américa? Ou tudo isso é interpretação dos olhos de quem vem. O kpop pode e deve ser representado por integrantes coreanos, afinal o ritmo é produzido na Coreia Do Sul e permitiu ao país se tornar uma potência no que se refere a entretenimento, tirando inclusive a hegemonia estadunidense. Contudo esses grupos mistos ou totalmente formados por estrangeiros, não seria justamente uma forma de demonstrar que de fato o segmento do kpop "venceu" e cada vez mais pessoas de diferentes partes do mundo estariam interessadas, em fazer parte dele? Com certeza é algo a se pensar.


Alguns exemplos de artistas e grupos de kpop com integrantes não asiáticos:


EXP EDITION: Um grupo masculino formado por quatro integrantes americanos: Frankie, Hunter, Sime e Koki. O grupo debutou em 2017 com o single “Feel Like This” e se autodenomina o “primeiro grupo de Kpop não-coreano da história”. O grupo foi formado por um projeto acadêmico chamado “I’m Making a Boy Band”, que visava explorar as questões de identidade e globalização no Kpop.



KAACHI: Um grupo feminino formado por quatro integrantes britânicas: Nicole, Chunseo, Dani e Coco. O grupo debutou em 2020 com o single “Your Turn” e se autodenomina o “primeiro grupo de Kpop do Reino Unido”. O grupo foi formado pela FrontRow Records e tem como objetivo promover o Kpop na Europa.



LANA: Uma cantora russa que debutou em 2019 com o single “Take the Wheel”. Ela foi a primeira artista solo não asiática a debutar na indústria do Kpop. Ela treinou na Coreia por três anos e aprendeu a língua e a cultura do país. Ela também participou do reality show Produce 48, mas foi eliminada na primeira rodada 3.



VCHA: É um grupo de Kpop formado pela JYP Entertainment e Republic Records através do programa de competição de realidade A2K. É um grupo global pré-debut composto por integrantes de diferentes nacionalidades. Que são elas: Lexus, Camila, Kendall, Savanna, KG e Kaylee. O grupo foi criado a partir do A2K (America2Korea), um projeto de sobrevivência que selecionou as integrantes do VCHA



BlackSwan: formado pela DR Music. Elas são um grupo multinacional baseado na Coreia do Sul, com um conceito de admissão e graduação. O grupo fez sua estreia em 2020. A formação do BlackSwan é composta por: Sriya, NVee, Gabi e Fatou.



Vale ressaltar que tudo isso partiu de uma gradação, mas como assim? Primeiro as empresas passaram a adicionar aos seus projetos de grupos integrantes não coreanos, mas ainda do mesmo continente, no caso a Asia, como o exemplo de BlackPink e Twice, por exemplo. Depois houve a necessidade de expandir essas fronteiras para além da Ásia e ir buscar na América, como o NCT, as Girls Generation e o StrayKids, mas ainda assim, esses artistas apesar de serem de continentes fora da ásia ainda mantinham o fenótipo asiatico, pois possuem parentesco, ou eram metade asiático, como a Tiffany das Girls Generation, a Rosé e a Jennie do BlackPink, o BM do Kard e o Huening Kai do TXT. Todavia, houve o que eu chamo de uma terceira revolução na formação de grupos de kpop, em que não havia mais á necessidade de procurar por integrantes que necessariamente tivesse a aparência asiática, foi o que aconteceu com os grupos citados acima.


O fenômeno do K-pop, inicialmente associado à Coreia do Sul, tem evoluído ao longo dos anos, expandindo-se além das fronteiras geográficas e étnicas. O conceito do K-pop transcende a mera nacionalidade, sendo mais uma questão de identidade, estética, e dedicação à cultura e à indústria específica. Grupos de K-pop com integrantes não asiáticos representam uma mudança nesse cenário, desafiando as noções tradicionais, e isso é reflexo do apelo global do gênero. A diversidade étnica e cultural nos grupos de K-pop não deve ser vista como uma ameaça, mas sim como um reflexo do poder de atração e inclusão desse gênero musical. É um testemunho da capacidade do K-pop de unir pessoas de diferentes origens em torno de sua música, dança e cultura, contribuindo para sua contínua evolução e alcance global.


Conteúdo exclusivo.

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4 Comments


Aerton Gabriel
Aerton Gabriel
Nov 03, 2023

Matéria maravilhosa!! Esse tema é muito importante falar, pois ainda existe muito preconceito com os estrangeiros entrando em grupos de k-pop!! 👏🏻👏🏻👏🏻💕💕💕

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Michelle Rezende
Michelle Rezende
Nov 03, 2023
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Com toda a certeza Manzito! Inclusive só tenho a agradecer por me ajudar a ter construído essa matéria, as suas opiniões na entrevista que fizemos foi fundamental! Gratidão Manzito 😃

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Cristina Maria Cardoso Rezende
Cristina Maria Cardoso Rezende
Nov 01, 2023

Que matéria excelente com muita qualidade onde vemos que o Kpop mesmo tendo outras etinias isto não deve ser considerado um ponto negativo nem uma ameaça, mais como o Kpop já está tendo um alcance global parabéns pela matéria e também parabéns para a editora.

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Michelle Rezende
Michelle Rezende
Nov 01, 2023
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Obrigada demais!

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