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  • Foto do escritorRami

Afinal, coreanos comem carne de cachorro?



Recentemente, o presidente sul coreano Moon Jae-in, declarou o aumento do banimento da ingestão de carne canina no país, um costume que com o passar do tempo, se tornou controverso e nas palavras de sua própria assessoria, é "uma prática tradicional que está se tornando um constrangimento internacional". O consumo desse tipo de carne já teve grande influência na culinária coreana, porém, com a valorização da vida do animal como companhia e não como um produto, esse consumo vem decaindo e a causa animal vem cada vez mais ganhando seguidores no país.


Olhando para a história do consumo desse tipo de carne na cultura coreana, podemos observar que muitos indivíduos não a comiam por prazer e sim por necessidade. Durante a ocupação japonesa na Coreia, no período da Segunda Guerra Mundial, a nação passou por uma grande escassez de alimentos e o cão que naquela época era mais facilmente disponível do que outros animais, se tornou uma fonte de alimento. Com o passar do tempo a comercialização desse tipo de carne foi de uma forma de sobrevivência para uma tradição, durante o Boknal, período do ano com os dias mais quentes, acreditava-se que o consumo de cães revivia a energia e a "potência masculina" que o calor trazia.


Comer carne de cachorro é um ato que se encontra em um limbo da legalidade na Coreia do Sul, não é totalmente legal e nem ilegal. As leis coreanas relacionadas a este assunto trazem ideias contraditórias, de acordo com a Lei de Processamento de Animais de 1962, os cães não são classificados como gado, o que significa que seu abate não é regulamentado, entretanto, os cães são reconhecidos como alimento pelo Ministério da Saúde e Bem-Estar. A Assembleia Nacional Coreana chegou a aprovar, em 1991, uma Lei de Proteção Animal proibindo a morte de animais não pertencentes ao gado de uma forma que seja cruel ou provoque repulsa sem razão adequada e racional, porém muitos se incomodaram pelo fato da lei não ser mais direta, se tornando vaga e pouco aplicada fora dos papéis.


Com o aumento do número de coreanos que possuem cães como pets, em 2017, uma pesquisa chegou ao resultado de que 1 em cada 5 sul coreanos tinham um cachorro em casa, a insatisfação, principalmente dos mais jovem, com essa prática cresceu no país chegando a 84% da população declarando não comer carne de cachorro. Uma parte da sociedade passou a defender a abolição das fazendas de cães e seu péssimo tratamento aos animais. O aumento da consciência pública da crueldade associada a esse tipo de comércio pode ser o estopim para o fim da demanda por cães como carne.


A população coreana parece estar mudando o seu pensamento sobre o modo de tratar os cães. Antes de julgar a prática deve-se analisar todos os seus aspectos e influências em cima desta sociedade, muitos que consomem esse tipo de carne nunca lidaram ou foram ensinados a lidar com esses animais de uma forma além do que um alimento, muitas fazendas que criam o animal para consumo desejam parar com a prática, porém, não recebem nenhum tipo de apoio. Com a chegada de uma cultura que vê o cão como amigo, os que querem o fim dessa prática clamam por leis mais incisivas sobre sua proibição e finalmente sair dessa zona cinzenta e parece que o presidente sul coreano finalmente deu o primeiro passo.


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